quarta-feira, 20 de junho de 2007

O uso da sabedoria para o mal

A mudança introduzida na legislação brasileira, no mínimo, presenciada por quem esteve no poder federal, no período de 16 anos em que o presidente da República era seu partidário (Sarney, PMDB e FHC, PSDB), e na Câmara Federal destes dois, presidindo-a, somado aos dois anos que já havia secretariando seu avô Tancredo Neves no governo de Minas, transformou Aécio Neves de um jovem recém-formado em economia e herdeiro de duas famílias tradicionais da política mineira, em um grande conhecedor dos sinuosos caminhos do poder, sejam eles políticos, econômicos ou midiáticos.
Seu avô Tancredo convivera, desde a década de 50, com este poder e sabia onde e como atendê-lo. Como senador da República convivera com Fernando Henrique e sabia que ele representava no sistema de poder mundial o instrumento para a introdução de uma nova ordem econômica e política que os golpistas de 1964 não conseguiram introduzir no Brasil pelo forte espírito nacionalista dos mesmos. Muitas foram as vezes que Tancredo conversou com estas forças através de seu sobrinho Francisco Dornelles e Fernando Henrique.
Aécio como seu secretario particular e neto, evidentemente que estava a par de tudo.Tancredo sabia que seria inevitável, mais dias ou menos dias, que o Brasil adotaria o que ficou conhecido como Escola de Chicago.
No Chile já havia sido implantado igual modelo por Pinochet.
Tancredo só elegeu-se no Colégio Eleitoral por força, iniciativa e articulação desta estrutura de poder mundial que enxergava nele o governante capaz de introduzir esta nova ordem econômica e política no Brasil sem maiores rupturas.
Os militares golpistas de 64 sabiam que não teriam como enfrentar esta nova ordem econômica e política internacional que apoiava Tancredo, além dele ser considerado no meio militar confiável.Veio a fatalidade, com a morte de Tancredo. O país, durante o período do governo Sarney, entrou em um vácuo político.
Porém, Aécio já se instalara no poder através da diretoria de Loteria da Caixa Econômica Federal, onde por ligações de seu pai, Aécio Cunha, aproximou-se de Danilo de Castro, na época gerente da Caixa em Viçosa, interior mineiro.
Danilo de Castro mais tarde chegaria à presidência da instituição. Após Sarney, veio Collor, que acenou para estes poderes internacionais, convencendo-os que seria capaz de conduzir e implantar esta nova ordem econômica no país.
nganam-se aqueles que pensam ter sido ele um simples governador de Alagoas a transformar-se no grande caçador de marajá, e posteriormente, presidente.
O governo Collor não conseguiu relacionar-se com a Câmara Federal nem com o Senado, além de não mediar os conflitos de interesses da mídia então existentes no país. Teve ainda dentro de sua família o estopim que faltava para disparar a crise que o derrubou.
Itamar Franco, nos últimos dias do governo Collor, estava literalmente perdido, tinha certeza que, mais dias menos dias, teria que assumir o governo, e não tinha qualquer projeto. Iria herdar a mesa do presidente, a caneta e uma enorme crise.
Ao contrário do que diz Itamar, realmente quem introduziu o Plano Real e outros dispositivos foi Fernando Henrique Cardoso, que desde a eleição de Tancredo tinha sido preparado para liderar as mudanças no Congresso Nacional. A estabilidade imediata do governo Itamar foi fruto da conveniência destas forças articuladas por FHC junto ao Congresso Nacional.
Tanto é assim que, após Itamar, FHC elegeu-se presidente da República, promovendo as reformas prometidas desde a época de Tancredo Neves, permanecendo no Palácio do Planalto por oito anos. Neste período, a economia do país foi totalmente modificada, o estado foi desmontado e entregue a iniciativa privada, no que ficou conhecido como período das privatizações.
Nos oito anos de governo, a seqüência de erros que foi da aprovação da reeleição, com métodos pouco ortodoxos, somado à desarticulação política junto a sociedade civil, causada pelos sucessivos escândalos, somando as circunstâncias mundiais, deu a Lula a oportunidade de ser eleito presidente.
Após sua eleição, Lula mais que depressa permitiu que a área econômica de seu governo procurasse este mesmo grupo de poder econômico mundial que nas negociações indicaram Meireles, na verdade à época deputado federal eleito pelo PSDB, presidente do Banco Central, e a permanência de Pallocci.
Desta forma, deu prosseguimento ao mesmo projeto implantado por Fernando Henrique. Na reeleição de seu mandato, Lula enfrentaria Alckmin, que contou com a base partidária do PSDB, porém a Aécio nem a Serra interessava sua vitória, como de fato não ocorreu.
José Serra, que além de economista, ao contrário de Aécio que apenas formou-se em economia, participara desde o início do projeto de Fernando Henrique, tendo, portanto, acesso a toda estrutura de poder montada na época e, principalmente, agora estando à frente do governo de São Paulo, herdou esta estrutura montada por FHC.
Isto obrigou Aécio a desenvolver um novo projeto para tentar colocar-se como mais eficiente no atendimento a esta estrutura mundial de poder. Como demonstrado, a luta sempre foi ganha por aquele que mais vantagens oferecia a esta nova ordem econômica e política mundial.
Todos, Lula, Fernando Henrique e Aécio utilizaram e estão utilizando o patrimônio do estado brasileiro para presentear estas corporações internacionais em troca do poder.
No caso de Minas, tudo começou com Hélio Garcia que aceitou o fechamento da MinasCaixa, em seu primeiro governo, e a quebra do Bemge no segundo. Azeredo o seguiu, entregando parte das ações da Cemig ao grupo Opportunity, o Credireal ao banco Itaú, que já teve 11% e hoje tem 5,9% de suas ações administrada pela Capital Group International Inc, que também em um passo de mágica adquiriu 5% da Copasa
Como amplamente demonstrado, o governador Aécio Neves presenciou, em alguns casos, até mesmo participou nas últimas duas décadas de todas as negociações importantes celebradas pelo Brasil, com a estrutura de poder mundial.
Como dito, o aprendizado do governador Aécio Neves foi enorme, tornando-o conhecedor do que foi e está sendo feito por estes grupos. Resta a pergunta. Porque Aécio tem permitido que estes fatos aconteçam em seu governo? Porque ele não tem o menor acanhamento em participar das solenidades nacionais e internacionais comemorando estes fatos?
A resposta é simples. Aécio sabe que só chegara ao poder atendendo os interesses destas corporações.
É triste ver um mineiro ter sido tão bem preparado e que tenha optado pelo mal.
Políticos maduros que já atuam no Congresso Nacional há meio século dizem: “Aécio está como um equilibrista de pratos, cada vez pega mais um. Vamos ver até quantos ele consegue equilibrar”.
Os sábios políticos estão certos, só não citaram que os pratos são o patrimônio público mineiro.

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Rui Nogueira

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